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Apresentação

    A guerrilha zapatista na região de Chiapas, ao sul do México, tem sido objeto, em nosso país, de um tratamento jornalístico bastante inadequado. Explora-se a figura do subcomandante Marcos, sua extensa correspondência internética, as máscaras e roupas extravagantes dos indígenas que marcham com seus homens nas trilhas da Selva Lacandona, mas sempre sob um prisma folclórico. Esta visão superficial, típica da imprensa que transformou a informação em mercadoria de entretenimento, só serve para confundir a opinião pública. Além das máscaras e dos extensos comunicados, o Exército Zapatista de Libertação Nacional é um movimento revolucionário que está trazendo uma contribuição original e valiosa, não só para México, mas para a eterna luta dos dominados contra as forças de dominação.
         Os zapatistas estão em estado de rebeldia desde 1994. Contudo,  não desenvolvem ações armadas ofensivas. Uma guerrilha que não ataca, só se defende?  Pois é, a novidade consiste precisamente nisto. A guerrilha que não ataca está oferecendo ao povo mexicano, na visão dos seus melhores intelectuais, como Héctor Díaz Polanco, Luiz Villoro, Pablo González Casanova e outros do mesmo porte, a única alternativa válida para livrar o México do PRI e do substituto que as elites mexicanas fabricaram para que tudo mude e continue como está.
    Mas esta nova forma  de fazer revolução não está aberta apenas aos mexicanos. Sem dúvida, o modelo zapatista não é para ser copiado, pois responde às condições desse México misterioso, único, marcado pela resistência, que ainda costuma ver , nas encruzilhadas de suas imensas planícies  e de suas altas montanhas, Emiliano Zapata em seu cavalo a lembrá-lo da luta pela terra e pela dignidade. Copiar não. Mas, numa hora de tanta perplexidade quanto as táticas revolucionárias já tentadas e fracassadas, inspirar-se na guerrilha zapatista da Selva Lacandona, conhecê-la bem, animar-se com ela, pode abrir perspectivas novas para quem deseja viver em um mundo justo . O leitor perceberá isto ao longo da leitura desta coletânea de artigos de importantes intelectuais mexicanos, publicados em um jornal sério e independente, como o "La Jornada".                           

Plínio de Arruda Sampaio


Conteúdo

PREFÁCIO- Osvaldo Coggiola (9)                                                                                          

INTRODUÇÃO
Para entender Chiapas e os Zapatistas (13)                                                                                   

MAPAS                                                                                                                                               

COMENTARISTAS
JOSÉ SARAMAGO - Chiapas, nome de dor e esperança (33)
MANUEL VÁSQUEZ MONTALBÁN - Na clareira da revolução (39)
ANTONIO CANDIDO - A luta e a palavra (47)
ARIOVALDO U. DE OLIVEIRA - A rebeldia no Zapatista no México (51)
JOSÉ DE SOUZA MARTINS - Comentário sobre a insurreição Zapatista  em Chiapas (61)
PEDRO CASALDALIGA - Chiapas, paradigma da nossa América (67)

Parte I  - Origem e Historia  
O  café e a guerra  (71)
O zapatismo: um ano depois (75)  
Os zapatistas  olham para o futuro para não voltar para trás (79)
Chenalhó: os perigos da alma (85)
È terrível que a sociedade desperte somente com a morte : Florescano (89) 
Lutas indígenas e camponesas (93)
Transitar à democracia, via para a paz em Chiapas (103)
O cachimbo parlante (109)
Década de oitenta- l992 – Os preparativos (115)

Parte  II  -Relações de poder e resistência
Reconstrução das entidades índias (121) 
Chiapas um ano depois (125)
É  necessário pensar um projeto popular de nação:Luis Villoro (129)
O verdadeiro legislador (133)
A força do silencio (137)
O petróleo que não existia.-Os mapas do ouro negro chiapaneco (141)

Parte III  -Autonomia
A questão étnico – nacional/ I  (151)
A virtude da estupidez/ II  (155)
O debate pela autonomia/ III  (159)
O indigenismo simulador/IV  (161)
A reconstituição indígena  (165)
Municípios autônomos: a razão estratégica  (169)
O futuro dos povos indígenas / I  (173)
O futuro dos povos indígenas/ II (177)

Parte IV –O poder e o valor
Villoro: existem similitudes entre a luta de Gandhi e o Zapatismo (183)
É necessário romper com a utopia que busca realizar o mundo ideal :Villoro
(187)

Parte V –Democracia
l994: a responsabilidade democrática/ I (197)
l994: a responsabilidadde  democrática/  II  (201)
Guerra justa ou democracia?  (207)
A pátria em transição  (209)
O respeito ao direito à mudança, uma forma de respeito cultural  (213)
Nação e Zapatismo (217)
Autonomias e democracia (221)  
Os índios do México em direção ao novo milênio (225)

Parte VI –Governo mexicano e acordos
Erro ou estupidez? (233)
De San Miguel a San Andrés : as provas de amor  (235)
San Andrés Larráinzar :atravessando montanhas  (239)
Acordos de San Andrés: onde está o problema? (243)
Legislações indígenas  (247)
Em direção ao cancelamento dos Acordos de San Andrés  (251)
Lei indígena : mudar de terreno  (257)
Legislar para a  paz/ I  (259)
Legislar  para a paz/ II  (263)
A negação de San Andrés  (267)
Legislar é governar com  a razão (269) 
A guerra em Chiapas (273)

Parte VII –Estado de direito/ direito indígena
San Andrés : o olho do furacão (279)  
Direito indígena, de San Andrés a Kanasín (283)  
Discricionaridade e Estado de Direito  (287)
Municípios autônomos e Estado de Direito  (291)
Democracia Indígena (295)

Parte VIII –Frente Zapatista de Libertação Nacional  
IV Declaração :  nova política (301)
A proposta  Zapatista  (305)
Para pensar de outra maneira! O desafio Zapatista (309)  
A FZLN: devolver a iniciativa à sociedade (313)

Parte IX –Violência  
Acteal: genocídio e etnocídio (319)
Acteal : um crime contra a autonomia (323)  
Acteal : as vítimas como responsáveis  (325)
A escalada da guerra (329)

EPÍLOGO 
Tentativa de balanço de seis anos de conflito (333)

GLOSSÁRIO (339)

SIGLAS (369)

SOBRE OS AUTORES (379)

FICHA TÉCNICA (381)


Autores

Adelfo Regino Montes - Advogado constitucionalista, membro de Servicios del Pueblo Mixe AC, indígena mixe do Estado de Oaxaca.

Andres Aubry - Antropólogo, historiador, estudioso dos problemas de Chiapas; diretor do Instituto de Investigaciones Antropológicas de la Región Maya AC.

Andrés Barreda e Rolando Espinosa - Jornalistas de La Jornada.

Angelica Inda -  Historiadora, colaboradora com Andrés Aubry no Instituto de Investigaciones Antropológicas de La Region Maya (INAREMAC)

Antonio Garcia de Leon - Historiador e lingüista, estudioso da realidade chiapaneca, assessor do EZLN no diálogo de San Andrés.

Armando Bartra - Antropólogo, pesquisador da Universidade Nacional Autónoma de México, estudioso da problemática agrária, camponesa e indígena. Assessor do EZLN no diálogo de San Andrés.

Arturo García Hernández - Jornalista de La Jornada.

Carlos Monsivais - Escritor e cronista da Cidade do México.

Carlos Montemayor - Escritor e estudioso da realidade indígena e sua história.

Eduardo Montes - Escritor e jornalista, primeiro diretor da revista Solidariedad do Sindicato de Trabajadores Electricistas da República Mexicana. Construtor da Jornada Laboral, projeto no qual trabalhou até sua morte em janeiro de 1999.

Enrique Florescano - Historiador.

Fernanda Navarro - Doutora em Filosofia pela Universidad Nacional Autónoma do México (UNAM), professora de Filosofia na Universidad Mexicana de San Nicolás de Hidalgo (UMSNH) em Morelia Michoacán. Membro ativo da Frente Zapatista de Liberación Nacional (FZLN).

Gilberto Lopez y Rivas - Antropólogo, deputado federal pelo Partido de la Revolución Democratica (PRD), assessor do EZLN e atual componente da Comisión de Concordia y Pacificación (COCOPA).

Héctor Díaz-Polaco - Antropólogo, escreveu vários livros sobre autonomia indígena. Assessor do EZLN.

Jesus Morales Bermudez - Escritor e estudioso da realidade chiapaneca.

Julio Moguel - Estudioso da realidade agrária e camponesa do México, assessor do EZLN no Diálogo de San Andrés.

Luis Hernández Navarro - Antropólogo, escritor e crítico da realidade indígena e camponesa. Assessor do EZLN no Diálogo de San Andrés.

Luis Villoro - Catedrático da UNAM, filósofo, escritor e assessor do EZLN no Diálogo de San Andrés.

Magdalena Gómez - professor da UNAM, advogada, conhecedora de Direito em geral e do Direito Indígena, durante anos foi membro do Instituto Nacional Indigenista (INI) do México.

Miguel León Portilla - Doutor em História na UNAM. Grande conhecedor da História antiga dos indígenas e de sua realidade atual.

Pablo Gonzáles Casanova - Mestre em História, doutor em Sociologia, pesquisador, ex-reitor da UNAM. Fez parte da Comissão Nacional de Intermediação (CONAI), diretor do Centro de Investigações Interdisciplinares em Ciências e Humanidades, México. Apresentou sua renúncia à direção desse centro ao manifestar-se contra o uso da violêncoa para a solução dos problemas universitários.


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